Mulher..... Mulher!..... Por, Hermogênia Eleutério
Ter, 01 de Março de 2011 14:50 Webmaster
Aos meus doze ou treze anos, instada pela escola, li o livro “Iracema” de José de Alencar, no albor do romantismo que endeusava o índio e o colocava como herói, acho até que como semi-deus, meio às matas exuberantes de um país que aflorava para o mundo com um exotismo ininarrável.Pois bem. Iracema era retratada pelo grande escritor romântico como uma mulher esculpida, lixada, lustrada, enfeitada... Eu a imaginava como um ser transparente a deslizar pela “verde alcatifa da floresta”...
Depois, o “clic” do pensamento crítico. Como poderia ser Iracema uma virgem dos “lábios de mel”, num lugar em que nunca alguém ouvira falar em escovas e fios dentais, em assepsia de qualquer ordem? Como é que os cabelos dela poderiam ser “negros como a asa da graúna”, sem um queimadinho do sol ou nenhuma ponta dupla se não havia nenhum xampu ou creme de enxágüe ou uma hidrataçãozinha básica? Como é que os pés de Iracema podiam ser “gráceis” se ela não freqüentava pedicure nem lixava aqueles pesões grossôes de correr sobre pedras, raízes, paus e os escambaus naquela mata fechada? Os pés deviam estar sempre em estado de calamidade, assim como as mãos que descascavam mandioca e lidavam com a terra....
Durante séculos a mulher tem sido “cantada” em prosa e verso como divina, maravilhosa, mesmo nós, hoje, fora da floresta, não temos lábios de mel. Nossos lábios têm batom e algum veneno, por causa dos golpes que levamos.
Pode ser que precisemos dele. Apesar das pedicuras, dos cremes e xampus, além das hidratações, massagens e academias, nós corremos, (não com pés gráceis, mas cansados) e resolvemos todas as pendências de nossas casas e dos trabalhos fora de casa, acudimos filhos, ouvimos desaforos, ouvimos “cantadas” cretinas, somos chamadas de barbeiras no trânsito ( e nós somos, na realidade, “bárbaras”).
Conseguimos ser “amigas” e até “filhas” de nossas sogras e ainda estar mais ou menos” ajeitadas para os nossos maridos, quando a noite vem, ou quando as crianças vão passear na casa dos avós...
Na realidade, todos sabem e falam da mulher com preconceito como se só soubessem das cachaças que elas bebem, nunca se preocupando com os tombos que elas levam...
Na realidade, todos sabem e falam da mulher com preconceito como se só soubessem das cachaças que elas bebem, nunca se preocupando com os tombos que elas levam...
Se o sexo oposto desse á luz, ou se depilasse, ou enfrentasse o secador queimando seu couro cabeludo, ou se se sentisse mal, barrigudo de nove meses ouvindo dizerem que a mãe dele não lhe ensinou NADA...
Se José de Alencar soubesse como Iracema era maravilhosa só sendo “Iracema”, índia, sem lábios de mel, cheia dos bafos, pés grossos, unhas inadmissíveis, mas fresca, sonhadora, realizadora, brava, dedicada, quase feliz...
Ah, se o mundo soubesse que a mulher não precisa de elogios e galanteios e nem de comparações... que ela só quer mesmo é ser vista, enxergada, cheirada, amada, valorizada, sem frescuras nem paparicos, porque é muito melhor ouvir do homem amado:
- Como você é capaz! Como você me faz feliz! Como você é grande!
- Como você é capaz! Como você me faz feliz! Como você é grande!
Do que ouvir um sumido “Hum....que mulher cheirosa... gostosa...gatosa...e você notar que o olhar dele está no jogo de futebol, na TV...
Hermogênia Eleutério de Oliveira
Professora de Português para concursos / Anápolis – Secretaria de Cultura
Professora de Português para concursos / Anápolis – Secretaria de Cultura
Acho que toda mulher gostaria de ouvir e sentir o amado, ou outra pessoa que também faz parte da sua vida, demonstrando que realmente confia no que ela faz; acreditando na sua capacidade cotidiana. É isso aí!
ResponderExcluirAbraços!!!!!!!!!!
Walma